PERGUNTAS MAIS COMUNS


1. O que é a Missa?

Os primeiros cristãos chamavam a missa de Ceia do Senhor ou Fração do Pão. Nós preferimos chamá-la de Eucaristia, que significa Ação de Graças. Pode-se tentar definir a Eucaristia com uma das aclamações após a consagração, que diz: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”. É, portanto, a celebração da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a sua Páscoa e a nossa.

2. Como nasceu a Celebração da Missa?

A celebração da Eucaristia nasceu com o próprio Senhor Jesus. Na noite em que foi entregue, durante a última ceia, ele tomou o pão, deu graças, o partiu e o entregou a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei todos vós. Isto é meu corpo, que será entregue por vós”. Terminada a ceia, tomou um cálice com vinho, deu graças e o passou aos discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e bebei. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para a remissão dos pecados”. Essas palavras do Novo Testamento mostram a instituição da Eucaristia.

3. Quais as passagens do Novo testamento que narram a instituição da Eucaristia?

O Texto mais antigo é 1 Coríntios 11, 23 – 25, Lucas 22, 19-20, Mateus 26,26-28 e Marcos 14, 22-24 narram o mesmo acontecimento, com algumas diferenças entre eles. O evangelho de João não traz texto semelhante, mas não deixa dúvidas sobre o comer a carne e beber o sangue do Senhor (João 6,51-58). Em vez de simplesmente narrar a instituição, o evangelho de João mostra a importância de comungar o Corpo e o Sangue do Senhor e suas conseqüências para a vida.

4. Por que não dar aos fieis também o vinho consagrado?

O ideal é que todos comunguem do Corpo e do Sangue do Senhor. Se não faz assim, talvez seja por praticidade. Quem comunga só a hóstia consagrada, porém, está comungando Cristo na totalidade. Você não acha que na sua comunidade seria possível comungar sempre sob duas espécies?

5. Os cristãos celebram a Eucaristia desde o início?

Sim, a Eucaristia faz parte da vida cristã desde o começo, pois na última ceia Jesus mandou: “Fazei isto em memória de mim”. Os Atos dos Apóstolos (2,42) falam da Fração do Pão, celebrada desde o começo. As comunidades fundadas por Paulo também celebravam a Ceia do senhor – a Eucaristia – num clima de partilha também dos alimentos (1 Coríntios 11,17-34).

6. A Eucaristia é simples lembrança da paixão, morte e ressurreição do Senhor?

Não. Não dizemos que “recordar é viver”? Pois na Eucaristia revivemos a Páscoa do Senhor. Para o povo da Bíblia, memória não é recordação de algo que ficou perdido no tempo. É celebrar aquele acontecimento, trazendo-o para o hoje, com a mesma força que teve no passado.

7. Alguns grupos neopentecostais celebram a “Ceia do senhor”. Trata-se de Missa?

Nós cremos que sem o ministro ordenado não há missa. A celebração da Eucaristia, tal como a celebração hoje, não é fruto de improvisação, mas resultado de uma caminhada que se iniciou com o próprio Jesus, continuou pela prática dos apóstolos e chegou até nós.

8. Qual a relação entre a missa e a Páscoa do senhor?

Toda missa é celebrada do mistério pascal. Em cada Eucaristia celebramos a paixão, morte, ressurreição e ascensão do senhor Jesus. Na missa celebramos a Páscoa do Senhor, sua passagem da morte para a vida e a passagem deste mundo para o Pai. Isso se torna ainda mais sério quando descobrimos que Jesus instituiu a Eucaristia numa celebração da Páscoa dos Judeus. A Páscoa dos Judeus, ainda hoje, é a festa em que se comemora a saída da escravidão no Egito, a passagem da escravidão para a liberdade.


9. Em que dia da semana os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia?

No Domingo. Há várias passagens do Novo Testamento que falam disso, por exemplo, 1 Coríntios 16,2; Apocalipse 1,10, que chama domingo de “dia do Senhor”. No dia em que o Senhor venceu a morte, os cristãos proclamaram “anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição...”. O domingo é o dia que dá sentido e valor aos outros dias da semana.

10. Até quando os cristãos devem celebrar a Eucaristia?

O apóstolo Paulo pede para celebrar a memória da morte e ressurreição de Jesus “até que o Senhor venha” (1 Corintios 11, 26). É por isso que numa das aclamações após a consagração pedimos: “Vinde, Senhor Jesus”. Este pedido era uma oração freqüente dos primeiros cristão, que oravam: Marana tha.

11. Qual a importância da Eucaristia na vida dos cristãos?

A Eucaristia é a fonte e o ponto alto da vida cristã. Para descobrir sua importância, basta lembrar o seguinte: Nos primeiros séculos, os cristãos foram perseguidos por causa da sua fé e por participarem da Eucaristia. Sabe o que os cristãos da África responderam a seus perseguidores no ano 303? “Não podemos existir sem ela. O domingo não pode ser celebrado sem assembléia do Senhor”. E davam a vida por isso.

12. O domingo é o único dia para participar da Eucaristia?

Não. Entre os dias da semana, o domingo é o mais importante, por ser o “dia do Senhor”. Para ir ao encontro das necessidades dos cristãos, muitas comunidades celebram a missa vespertina (sábado à tardinha). Visto que os tempos mudaram, quem não tem condições de participar aos domingos pode fazê-lo num outro dia da semana.

13. Quem celebra a Eucaristia?

Todos celebram, cada uma seu modo. O grande celebrante é o próprio Senhor Jesus, que novamente se entrega e se oferece ao Pai por nós. O ministro ordenado preside, e toda a assembléia dos batizados participa enquanto “sacerdócio real” e membros do corpo de Cristo, que é a Igreja. Os ministros ordenados são o Bispo e o Presbítero. A palavra “presbítero” significava na origem o “ancião” que dirigia a comunidade. Hoje é sinônimo de “sacerdote” e “padre”. É melhor usar a palavra Presbítero. O Diácono significa “servidor”. Ele auxilia o Bispo ou o Presbítero na celebração da Eucaristia.

14. Tem sentido o padre celebrar a Eucaristia sozinho?

A Eucaristia é essencialmente um ato comunitário, celebrada em espírito de fraternidade e de partilha. Além disso, é preciso pensar que no mundo inteiro há milhares de comunidades que não tem Eucaristia aos domingos por falta de ministro ordenado. As exceções são raras.

15. Rezar missa pelos mortos faz sentido?

A Eucaristia é Ação de Graças. Nesse grande agradecimento, há espaço também para a memória dos falecidos. Nas intercessões das orações eucarísticas pedimos também por eles, pois acreditamos na comunhão dos santos” e na comunhão das coisas santas. Além disso, rezar pelos mortos significa que a morte não matou o amor. Se na Eucaristia celebramos a Páscoa do senhor, por que não rezar pela Páscoa dos falecidos? Contudo, reduzir a Missa a uma oração pelos mortos é diminuir seu significado.

16. Quais são as cores litúrgicas e o que significam?

Na celebração da Eucaristia fazemos comunhão com Deus, com as pessoas, com as coisas e com a história. Celebramos a vida de Deus em nós e a nossa vida na vida dele. As cores litúrgicas são um convite a entrar em comunhão. Elas estão visíveis em quem preside (estola e casula), no altar, na mesa da Palavra etc. As cores litúrgicas nos informam o que estamos celebrando. O roxo – usado no Advento, Quaresma, funerais etc. – convoca à preparação da vinha do Senhor (Natal), à mudança de vida na Quaresma, e nos faz pensar na fragilidade da vida (exéquias). O branco é a cor da ressurreição, da alegria do tempo da Páscoa, do Natal, das festas do Senhor, de Maria, dos santos não martirizados etc. O vermelho é a cor da paixão da sexta-feira santa, do fogo do amor no Pentecostes, das festas dos mártires... que “alvejavam suas vestes no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7,14). O verde – cor do tempo comum – marca a maior parte das celebrações durante o ano. Com o verde caminhamos na esperança de nossa plena comunhão com Deus.

17. Quais são as partes da celebração eucarística?

São duas: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. Além disso, há os Ritos Iniciais e os Ritos Finais. As duas partes são chamadas também de duas mesas, das quais nos alimentamos, a Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia. São duas faces da mesma moeda.

18. O que são os Ritos Iniciais?

São o começo da celebração, marcado pelo canto de entrada, o sinal da cruz, a saudação do presidente, o ato penitencial, o hino de louvor (Glória) quando prescrito e a oração de quem preside, chamada “coleta” .

19. Onde começa e termina a Liturgia da Palavra?

A Liturgia da Palavra começa com a primeira leitura, continua com o salmo responsorial, a segunda leitura (quando houver), a aclamação ao evangelho, a proclamação do Evangelho, a homilia, a profissão de fé (quando houver) e as preces da comunidade (também chamada de prece universal, oração dos fieis, oração da assembléia). É a “primeira mesa” que nos alimenta, a Mesa da Palavra.

20. A Liturgia Eucarística vem logo a seguir?

Sim. É a “segunda mesa”, e nosso olhar se concentra no altar, na Mesa da Eucaristia. Inicia-se com a apresentação das ofertas e continua com a oração sobre as oferendas. O prefácio abre a oração eucarística, centro de toda a celebração. Ela termina com a doxologia “Por Cristo...” e o “Amém” da assembléia. Vem, a seguir, o Pai-nosso e as orações que o acompanham, o abraço da paz, a fração do pão, a invocação do Cordeiro de Deus, a comunhão, a ação de graças e a oração do presidente, chamada de oração “depois da comunhão”.

21. E os Ritos Finais?

Compreende a bênção e a despedida. Algumas comunidades terminam com um canto.

22. Por que alguns lugares tocam a campainha na hora da elevação?

Certamente porque não entenderam para que serviam as campainhas. No tempo em que a missa era em latim, serviam para avisar o povo que havia chegado o momento da consagração, e era preciso concentrar-se (parar a reza do terço, em certos lugares). Quando o padre impunha as mãos sobre as ofertas, tocava-se o sininho pela primeira vez. Tocava-se ainda na elevação e na genuflexão do sacerdote. Hoje, se alguém precisa ouvir campainhas para saber que chegou o momento da consagração, significa que conhece bem pouco daquilo que se celebra.

23. Está certo rezar o terço durante a missa?

Não. Esse era um costume anterior ao concílio Vaticano II. Nessa época, a missa era em latim, o povo não entendia nada, e só participava rezando o terço. As coisas mudaram, graças a Deus. Hoje participamos cantando, escutando, respondendo, comungando... Continuar rezando o terço durante a missa é recusar o ótimo para ficar com o menos bom.

Seria bom se...

Seria bom se você chegasse na igreja um pouco antes, não em cima da hora, menos ainda atrasado; e observasse o ambiente, a cor litúrgica, a Mesa da Palavra (o ambão de onde se fazem as leituras), o altar ou a Mesa da Eucaristia, de onde Jesus se entrega por nós. Nas missas solenes o altar é incensado. Em muitas igrejas, o altar contém a “pedra d’ ara”, onde estão guardadas relíquias de santos e mártires. A Eucaristia da qual você vai participar é celebrada em comunhão com o testamento dos santos e mártires. Observe a cruz sobre o altar ou ao lado dele, as velas (o círio no tempo pascal) postas sobre o altar ou ao lado...
Note a presença de flores, concentre-se e reze. Se quiser cumprimentar amigos(as), não faça estardalhaço. Prepare-se para a grande celebração. Sinta-a como se fosse a primeira vez, viva-a como se fosse a última. Pois Jesus celebrou a Eucaristia uma única vez, na Santa Ceia. Isso lhe valeu a morte e ressurreição.

RITOS INICIAIS

As equipes de liturgia geralmente preparam uma introdução e comentários. Na introdução buscamos os motivos que nos levam a celebrar: o tempo litúrgico, pessoas, comunidades, aquilo que acontece no país e no mundo... É importante estarmos bem motivados para celebrar.
Muitas comunidades criaram o ministério da acolhida, para receber bem as pessoas, orientá-las e se for preciso, da mesma forma como acolhemos bem vem à nossa casa. Esse ministério cria um clima de família, e é muito gratificante ser bem recebido, inclusive pelo presidente da celebração.

1.Canto de entrada

Não é só para “acolher” o presidente da celebração e os ministros. O canto de entrada deseja criar um clima de festa, de alegria, de família, de fraternidade, de comunhão com Deus e as pessoas. Canta-se de pé. Nas festas, costuma-se fazer a procissão de entrada, com a cruz, o evangeliário (Bíblia), incenso etc. O canto de entrada – como os demais cantos – deve estar sintonizado com o tema do dia.

2. Sinal da cruz

O sinal da cruz é a porta de entrada e de saída da missa. É composto de gesto e palavras. Com ele marcamos nosso corpo, consagrando-o à Trindade santa. Faça-o com respeito e com sentido, pois é o sinal que caracteriza o cristão. Alguns sacerdotes, para ressaltar a importância, gostam de cantá-lo. O gesto é repetido mais vezes ao longo da missa.

3. Saudação

O presidente da celebração saúda a assembléia. É o começo de um longo diálogo que percorre toda a celebração. A saudação normalmente é tirada das cartas do Novo Testamento. A assembléia louva a Deus por tê-la reunido no amor de Cristo.

4. Ato penitencial

Reunidos em nome da trindade, pedimos perdão. O ato penitencial é ao mesmo tempo confissão de nossas faltas e profissão de fé na misericórdia divina. Quando queremos dar ênfase a esse gesto, pedimos perdão cantando.


5. Hino de louvor

É conhecido como Glória, e seria bom que fosse sempre cantado. É a grande doxologia da missa. (Doxologia significa louvação.) A Liturgia prescreve o Glória nas festas e solenidades, bem como nos domingos (exceto Advento e Quaresma). É um hino de louvor ao Pai por causa de Jesus Cristo, na força do Espírito. De fato, o motivo central da louvação é Jesus Cristo. Não deve ser substituído por nenhum outro canto.

6. Oração chamada “coleta”

É a primeira das três orações ditas “presidenciais”, reservada a quem preside, que a reza em nome da assembléia. Enquanto “coleta”, deseja reunir e unir todos os sentimentos da comunidade que celebra. Depois de dizer “oremos”, o padre faz uma pausa para que cada pessoa coloque diante de Deus as próprias motivações. O “Amém” da assembléia significa que ela esta de acordo.

LITURGIA DA PALAVRA

Algumas comunidades, nas missas solenes, costumam fazer a entrada da Bíblia. Sentada, a assembléia se prepara a escutar. Os cristãos – como povo de Deus do Antigo Testamento – são o povo da escuta: “Escuta, Israel.. teu Deus vai falar”. Está posta a primeira mesa, a Mesa da Palavra.

1. Primeira Leitura

Nos domingos, festas e solenidades, a primeira leitura é quase sempre tomada do Antigo Testamento (exceção, por exemplo, nos domingos do Tempo Pascal). A leitura do Antigo Testamento foi escolhida em função do evangelho, formando quase sempre um par em torno de um tema (sobretudo no Tempo Comum). Nos dias de semana, no espaço de dois anos – divididos em par e ímpar – lêem-se as passagens mais significativas de toda a Bíblia – exceto os evangelhos. Neste caso, raramente a leitura e o evangelho têm tema comum.
A(s) leitura(s) termina(m) com “Palavra do Senhor”. A assembléia responde “Graças a Deus”.

2. Salmo responsorial

O salmo (às vezes outro hino da Bíblia) é resposta orante da assembléia. Deus fala, a comunidade responde com um salmo, que deveria ser cantado, pelo menos o refrão. A numeração do salmo provavelmente não coincide com a da Bíblia que você usa, porque a Liturgia ainda usa a numeração latina. Note, aprecie e reze a sintonia entre a leitura e o salmo. Nunca se deve substituí-lo por outro canto qualquer.

3. Segunda leitura

Nos domingos e solenidades há a segunda leitura, sempre tomada do Novo Testamento. No tempo Comum, é a leitura contínua das passagens mais significativas das cartas do Novo Testamento, sem necessariamente combinar com a primeira leitura e o evangelho. No projeto inicial, a segunda leitura pretende iluminar a prática pastoral das comunidades.

4. Aclamação ao evangelho

De pé, a assembléia acolhe a Palavra por excelência, o próprio Jesus que nos fala. Mediante o canto, manifestamos a alegria de tê-lo entre nós, falando conosco. O canto é alegre e vibrante: Aleluia! (Exceto na Quaresma). E a estrofe é sempre tirada da própria Bíblia. Nas missas solenes, há uma procissão com o livro dos evangelhos e incenso.

5. Evangelho

Quem preside (um concelebrante ou diácono) proclama o evangelho do dia. Às vezes é cantado, para sublinhar o caráter de festa. Quando se usa incenso, antes de ser proclamado, incensa-se o evangelho. Nos domingos do tempo Comum, de modo geral, lemos um evangelho a cada ano. Mateus (Ano A), Marcos (Ano B) e Lucas (Ano C). O evangelho de João entra um pouco por tudo, particularmente na Quaresma e Tempo Pascal. Nos dias de semana, no intervalo de um ano, lemos praticamente todos os evangelhos.
A proclamação do evangelho é o ponto alto da Liturgia da Palavra. Marcamos com uma cruz (persignação) a testa (mente), a boca (palavras) e o peito (sentimentos), para expressar o desejo de que a Palavra nos guie em tudo o que pensamos, dizemos e fazemos. A proclamação termina sempre com “Palavra da Salvação”. A assembléia responde “Glória a vós, Senhor”.
Terminada a proclamação, o evangelho é reverenciado com o beijo de quem o proclamou.

6. Homilia

Quem preside dirige a palavra à assembléia sentada, explicando o sentido das leituras e ajudando a comunidade a aprofundar a Palavra à luz da nossa realidade. É o momento em que tentamos descobrir o que a Palavra tem a nos dizer. É importante escutar com atenção e respeito, pois não se trata palavras de ontem, mas da Palavra para o nosso hoje.

7. Profissão de fé

A homilia abriu nossos olhos e aqueceu o coração. Por isso, de pé, a assembléia professa a fé, rezando o Creio. Há duas formulas, o Símbolo dos Apóstolos (o mais curto) e o Símbolo Niceno-constantinopolitano (mais longo), resultado de muita reflexão e escrito como síntese da fé cristã. Chama-se assim por ter surgido após os concílios de Nicéia e Constantinopla. É uma espécie de assinatura da comunidade que celebra, selando seu compromisso com Deus que fala. É praticamente o fecho da Liturgia da Palavra. O Creio é rezado todos os domingos e solenidades.

8. Preces da assembléia

Aos domingos – e sempre que for oportuno – rezam-se as preces da assembléia. A comunidade celebrante abre o coração e expressa seus sentimentos, rezando. As preces dos fieis trazem para dentro da assembléia o mundo todo, a Igreja, todos os necessitados. E fazem-se pedidos para as necessidades da própria comunidade e das pessoas que a compõem.

LITURGIA EUCARÍSTICA

Da Mesa da Palavra passa-se à Mesa da Eucaristia. Nossa atenção concentra-se agora no altar. Há comunidades que, nesse momento, preparam a mesa com elementos essenciais. Para solenizar este momento faz-se a procissão das ofertas: pão, vinho e símbolos da vida da comunidade. A Mesa da Eucaristia esta pronta: toalhas, corporal, missal, pão e vinho. Cada cristão é convidado a fazer-se oferta, segundo o pedido de Paulo: “Peço que vocês ofereçam os próprios corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Romanos 12,1).

1. Canto e apresentação das oferendas

Durante a procissão das oferendas, canta-se o canto das próprias ofertas. Nesse momento, as pessoas fazem espontaneamente a própria oferta para as necessidades da comunidade e da Igreja. Antes de apresentar o vinho, mistura-se nele um pouco de água. Esse gesto lembra o que Jesus fez no fim da última ceia: ele pegou uma taça em que havia vinho misturado com água. Era provavelmente a terceira taça da ceia pascal judaica. O vinho era misturado com água para que os participantes se mantivessem sóbrios.
Durante o canto – ou sem ele – o presidente apresenta ao pai do céu as ofertas do pão e do vinho, frutos da terra e do trabalho humano. Essas ofertas se tornarão pão da vida (corpo de Cristo) e cálice da salvação (Sangue de Cristo).
Estamos habituados a chamar esse momento de “ofertório” (canto de ofertório), mas trata-se simplesmente de “apresentação das oferendas”. Veja o que o presidente diz: “Bendito sejais, Senhor Deus do universo, pelo pão (pelo vinho) que recebemos de vossa bondade... e agora vos apresentamos...”. Assim como Jesus, na última ceia, tomou o pão..., aquele que preside toma as oferendas do povo e as apresenta a Deus. Quanto sobre o altar.
Feita a apresentação das ofertas, o celebrante principal lava as mãos. É resultado de prática antiga, quando a assembléia oferecia produtos da terra e, após recebê-los, o padre tinha de lavar as mãos. Muitos padres hoje dispensam esse gesto, chamado “lavabo”. Tem o sentido de purificação, pois o padre pede: “Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me de meus pecados”.

2. Orai, irmãos...

Terminado o canto, o presidente da celebração convida a assembléia a se unir numa só oração para que Deus aceite o sacrifício que está sendo oferecido. De pé, os fieis expressam o desejo de que Deus aceite o sacrifício pelas mãos de quem preside.

3. Oração sobre as oferendas

É a segunda oração presidencial da missa. Em nome da assembléia que celebra, o presidente pede a Deus que aceite as ofertas do povo. A comunidade consente com o “Amém”.

4. Oração eucarística

Começa a oração eucarística, centro de toda a celebração. A assembléia está de pé (e se ajoelha na consagração), participando com respeito nas aclamações da comunidade (que podem ser cantadas). No Brasil, temos 14 orações eucarísticas (3 delas para missas com crianças, 2 sobre a reconciliação, 4 para diversas circunstâncias). Algumas delas têm prefácio próprio (por exemplo a 4ª). Quem preside, junto com a equipe de liturgia, procure uma oração eucarística que sintonize com o tema do dia ou do tempo litúrgico. Assim há mais unidade na celebração.
Na última ceia, depois de tomar o pão, Jesus deu graças. Da mesma forma, junto com seu presidente, a assembléia rende graças a Deus mediante a oração eucarística. Cada oração eucarística tem suas características. Mas todas possuem em comum estes 8 elementos:

a. Prefácio.
É a abertura da oração eucarística. O prefácio é uma ação de graças ao Pai por Jesus Cristo, e inicia-se com um diálogo entre o presidente e a assembléia. Há muitos prefácios: para os tempos litúrgicos, solenidades, festas etc. Quando o prefácio é chamado de “próprio”, significa que forma um todo com aquilo que celebramos. No tempo comum, há prefácios à escolha.

b. Santo.
O prefácio termina com um louvor cósmico a Deus. A assembléia se une a esse coral universal e canta a santidade de Deus com esta doxologia: “Santo, Santo, Santo...”. O “Santo” deveria ser sempre cantado.

c. Epiclese.
É a invocação do espírito Santo sobre as oferendas. O presidente da celebração impõe as mãos sobre o pão e o vinho, e pede que, por ação do Espírito Santo, se tornem Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. O momento é extremamente importante e faz pensar nas grandes intervenções fecundantes do espírito (por exemplo, na anunciação – Lucas 1,35).

d. Narrativa da instituição e consagração.
É o ponto alto da celebração eucarística. Quem preside repete os gestos e palavras do Senhor na última ceia. O pão e o vinho se tornam Corpo e Sangue do Senhor. O sacerdote mostra ao povo a hóstia e o vinho consagrados, e todos adoram em silêncio o Corpo e o Sangue de Cristo.
Nunca compreenderemos suficientemente o que a Trindade fez e faz em nosso favor em cada Eucaristia. É o mistério da nossa fé, ao qual o povo responde com uma das aclamações.

e. Anamnese (ou seja, memorial).
O próprio Senhor Jesus ordenou: “Fazei isto em memória de mim”. E o apostolo Paulo escreveu a esse respeito: “Todas as vezes que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Corintios 11,26). É isso que o sacerdote proclama em nome de toda a assembléia que celebra. Você pode observar isso nas primeiras palavras após a consagração. Note também que o presidente fala na primeira pessoa do plural (nós), em nome de toda a comunidade.

f. Oblação (ou ofertório).
Agora é que aparece a palavra “ofertamos”, sinal de que o verdadeiro ofertório da missa acontece aqui, e a oferta é insuperável: o próprio Cristo – seu Corpo e Sangue – oferecidos ao Pai, no Espírito, por nós. Mas não basta isso. Pede-se que pela força desse sacrifício, todos os cristão se tornem um só corpo, em Cristo. Em suas cartas, o apostolo Paulo insistia que a igreja é o Corpo de Cristo. Recebendo o Corpo de Cristo nos tornamos Corpo de Cristo, pela ação do Espírito Santo.

g. Intercessões.
Ainda em nome de toda a assembléia, o presidente (outros padres nas concelebrações) faz as intercessões: pela Igreja (Papa, Bispo(os), Presbíteros, Diáconos, todo o povo de Deus), pela comunidade que celebra sua fé, pelo mundo todo e pelos fieis defuntos. É o momento de recordar os mortos – aqueles que conhecemos, amamos, mas também “aqueles que morreram na vossa amizade”, ou “dos quais só vós conhecestes a fé.”. Os cristãos que celebram a Eucaristia não excluem ninguém.
As intercessões geralmente terminam pedindo pela própria comunidade que peregrina a caminho da vida eterna.

h. Doxologia final.
É um breve hino de louvor: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo...”, abraçando a Trindade. É o fecho da oração eucarística, merecendo ser cantado, sobretudo o “Amém” da assembléia. No canto esse “Amém” pode ser repetido mais vezes.

Para conhecer mais
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Na consagração do vinho, o sacerdote repete as palavras de Jesus na última ceia: “...Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”. Para entender melhor os temas “aliança”, “sangue derramado” e remissão dos pecado”, leia na sua Bíblia Êxodo 24, 3-8. Depois, complemente com esta explicação, comparando com as palavras de Jesus.
Êxodo 24,3-8 mostra o rito da aliança selada entre Deus e o povo hebreu no Monte Sinai, após a saída da escravidão no Egito. Note que estão presentes todos os elementos necessários para selar a aliança. 1. Os parceiros que vão fazer a aliança: Javé, representado pelo altar construído por Moisés ao pé da montanha, e o povo todo, visualizado nas doze estelas (marcos de pedra) representando as doze tribos (talvez as dozes estelas estivessem dispostas ao redor do altar). 2. As condições ou documento da aliança, que são as palavras ditas por Javé a Moisés na montanha e que Moisés pôs por escrito, ou seja, os Dez Mandamentos. 3. O selo de autenticação da aliança (assinatura), representado pelo sangue dos novilhos.
Moisés apresenta ao povo as condições para que a aliança se concretize. O povo concorda e promete: “Faremos tudo o que Javé disse”. Sela-se a aliança com o sangue das vítimas. Metade do sangue é derramada sobre o altar – símbolo de Javé; a outra metade é aspergida sobre o povo, com estas palavras: “ Este é o sangue da aliança que Javé faz com vocês através de todas essas cláusulas”.
O sentido desse rito de aliança depende em parte da compreensão que se tem do sangue – o selo da aliança (assinatura). Em vez de os parceiros assinarem o documento, são aspergidos com sangue, que para o povo da Bíblia representa a vida. É, pois, uma aliança vital (a vida depende dessa aliança). É sangue de animais oferecidos em holocausto e sacrifício de comunhão; portanto, sangue consagrado que consagra a aliança.

5. Pai -nosso

Na oração eucarística pedimos que o Espírito Santo faça da assembléia que celebra um corpo único. Agora, o Pai-nosso nos educa a sermos uma família única, com um único Pai. Jesus ensinou só esta oração, por isso é chamada “a oração do Senhor”. São 7 pedidos distribuídos em torno do “Pai nosso” e do pão nosso”. É importante começá-lo todos juntos.
A oração que vem a seguir, rezada pelo presidente, é ampliação do último pedido do Pai-nosso: “mas livrai-nos do mal”. A assembléia intervém com a fórmula final do pai-nosso ecumênico: “Vosso é o reino...”.

6. Abraço da paz

Depois de rezar “Senhor Jesus Cristo, dissestes...”, o sacerdote (o diácono) convida a comunidade a se saudar fraternalmente com o abraço da paz. Partilhamos a fraternidade em paz. É um costume que nasceu entre os primeiros cristãos. São Paulo convidava os coríntios a se saudarem com o beijo santo (1 Corintios 16,20). É excelente oportunidade de fazer as pazes com alguém.

7. Fração do Pão

Terminado o abraço da paz, o presidente da celebração parte o pão, repetindo o que Jesus fez: tomou o pão, deu graças e o partiu... Os primeiros cristãos chamavam a Eucaristia de Fração do Pão (Atos dos Apóstolos 2,42). Esse gesto – de Jesus e de quem preside – nos compromete com a partilha. Partilhar o que somos e temos com quem nada possui é de certa forma um ato eucarístico. Recomenda-se que haja um só pão a ser repartido, para reforçar a idéia de unidade e de partilha. O sacerdote mistura um pedaço de pão ao vinho, para sublinhar o tema da inteireza: corpo + sangue.
Enquanto isso a assembléia invoca o Senhor com as palavras do evangelho de João: “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo...”.

8. Convite à Ceia

Após rezar algumas orações próprias, o presidente mostra à assembléia o Corpo do Senhor, fazendo o convite: “Felizes os convidados...”. A assembléia responde com as palavras do oficial romano: “Senhor, eu não sou digno...”. (Lucas 7,6-7). Salientam-se duas coisas: nunca estaremos à altura do dom que nos é dado; apesar disso, confiamos na misericórdia divina. Por isso não faz sentido ouvir coisas assim: “Quem estiver preparado...”, pois acabamos de dizer que não somos dignos.

9. Comunhão

Jesus tomou o pão, deu graças, o partiu e o distribuiu... Somente quem ama muito a Deus e se sente muito amado por ele é que começa a compreender o sentido inesgotável da união entre Deus e as pessoas na Eucaristia. Por isso nos aproximamos da Mesa da Eucaristia alegres e cantando. Estendemos a mão esquerda para receber o Corpo do Senhor. Quem o distribui no-lo mostra e diz: “o Corpo de Cristo”. Com toda a convicção respondemos “Amém”, que quer dizer: Eu creio, é verdade... Coma mão direita pegamos o pão e comungamos, voltando ao nosso lugar.
Aconselha-se que a comunhão seja sob as duas espécies e que se receba a comunhão na mão, não na boca. Convenhamos a língua não é mais pura que a mão. Participe do canto de comunhão, pois é expressão da unidade entre irmãos que se alimentam do mesmo pão.

10. Ação de graças

Após a distribuição da Eucaristia e terminando o canto de comunhão, fazemos ação de graças. Eucaristia significa ação de graças, mas esse é o momento oportuno para agradecer em silêncio ou com um canto. Nunca compreenderemos plenamente o que Deus fez por nós e nunca conseguiremos agradecer de modo perfeito. Neste momento, não se deixe vencer pela pressa de sair da igreja. Agradeça do melhor modo possível.

11. Depois da comunhão

O presidente, de pé, convida à oração, dizendo “oremos”. É a terceira oração presidencial, e se dirige a Deus em forma de pedido. O que o sacerdote pede em nome da assembléia? Geralmente essa oração pede a Deus a graça de ser coerente com aquilo que celebramos. Em outras palavras, trata-se de enxertar a Eucaristia no cotidiano das pessoas, em sua caminhada para o momento em que Deus será tudo em todos (1 Corintios 15,28).

RITOS FINAIS


1. Bênção

A bênção final combina com o sinal da cruz dos ritos Iniciais. No início marcamos o corpo com o sinal da cruz e com a presença da Trindade. Na bênção final, é a própria Trindade que nos acompanha pela vida. Em ocasiões especiais há formulários próprios de bênção (por exemplo, Advento, Natal, Páscoa, pentecostes... festas de Maria, dos apóstolos...).

2. Despedida

O presidente da celebração (o diácono) despede a assembléia em paz. Todos voltam para a casa com mais alegria e esperança. Às vezes canta-se um hino. Neste caso, não se deve sair antes do canto terminar. O primeiro a se retirar será quem presidiu a assembléia celebrante.

INDICAÇÕES ÚTEIS PARA UMA BOA CELEBRAÇÃO

1. Gosto de presidir assim

Desde 1999 presido a Eucaristia numa comunidade pobre em São Paulo, chamada “Mãos Unidas” . No inicio havia dificuldades, as pessoas tinham vergonha de ler, cantar, falar, partilhar. Aos poucos foram se soltando, e hoje cantamos, partilhamos... O espaço é pequeno, mas as pessoas são maravilhosas. Com esse meu povo gosto de celebrar a Eucaristia. Não pretendo com isso ensinar lições a ninguém. Há quem faça melhor. Contudo nós celebramos desta forma:
- Enquanto se preparam os cantos e distribuem as tarefas, acolho as pessoas que vão chegando. A celebração começa sempre com um gostoso “bom dia” e as tradicionais perguntas “vocês estão bem?”, “como foi a semana?”. Sendo um grupo pequeno e que se conhece bem, é fácil recolher aí material bom para celebrar a vida.
- Faço um breve apanhado da celebração, perguntando “o que celebramos hoje?”, “que domingo é hoje?”, e assim entramos no sentido da festa. Às vezes chamo a atenção para o desenho do folheto.
-Se há pessoas chegando pela primeira vez, são apresentadas (nome, onde moram), e as acolhemos com o canto “seja bem vindo (a), olelê...”
-Buscamos os aniversariantes da semana – presentes ou não – e nos comprometemos a rezar por eles. Abre-se espaço para outras intenções. Às vezes suscito motivações perguntando: “Vocês viram o que o telejornal mostrou ontem?”. Assim nosso horizonte se amplia, e o mundo entra nesse pequeno espaço celebrativo.
-Os cantos são (quase) sempre sintonizados com o tempo litúrgico e o tema do dia. No canto de entrada acendemos a vela do altar, representando nossa fé. Cantamos o sinal da cruz, a saudação, o ato penitencial e o hino de louvor. Na liturgia da Palavra, cantamos o salmo (solista e assembléia) e a aclamação. Antes de iniciar a celebração, peço a alguém para escrever no quadro uma frase da primeira leitura e outra do evangelho. Minha homilia não passa de 5 minutos. Insisto para que levem consigo o folheto e retomem os textos durante a semana. Às vezes não apresentamos as motivações no inicio, mas as expressamos em preces na “oração dos fieis”.
-Da Liturgia Eucarística cantamos o canto das ofertas, o santo, as respostas da Oração Eucarística,a doxologia “Por Cristo...”, o “Amém” e o “Cordeiro de Deus” após o abraço da paz. Todos comungam sob duas espécies e, terminado o canto de comunhão, fazemos a ação de graças (canto, silêncio, oração...). Antes dos Ritos Finais cantamos parabéns aos aniversariantes. Quando há uma festa importante durante a semana, chamo a atenção para esse dia.
-Cantamos a bênção final e a despedida. Às vezes adoçamos a boca e a vida com bombons, bolo de aniversário, panetone no Natal, colomba na Páscoa... Todos os domingos as crianças ganham pãozinho, ou seja, hóstias não-consagradas.
A missa não passa de 1 hora, e é muito gostoso celebrar juntos.

A catequese de São João Crisóstomo

“Se queres honrar o Corpo de Cristo, não desprezes quando está nu. Não o honres assim, na Igreja, com tecidos de seda enquanto o deixas fora sofrer frio e carente de roupas. Com efeito, o mesmo que disse: ‘isto é meu Corpo’ e o que realizou ao anunciar, também disse: ‘Me viste com fome e não me deste comida’... Deus não precisa de copos de ouro, mas de almas que sejam de ouro... Que vantagem que há que o altar de Cristo esteja coberto de cálices de ouro, quando ele próprio morre de fome? Começa por alimentar os famintos e, com o que te sobra, ornamentarás o altar...”.

2. Cuidado com os “ruídos”

Muitas de nossas comunidades não dispõem de espaço sem ruídos externos para celebrar. Aviões, carros, trens, industrias, vizinhos barulhentos, cães latindo ou brigando nas vielas... são todos ruídos externos que atrapalham a celebração e quase nunca podemos evitar. Mas há “ruídos” internos que podem ser evitados. Além dos ruídos normais, há os “ruídos” litúrgicos. Evite-os. Alguns exemplos: 1. Mandar ficar de pé, sentados etc. Será que a assembléia já não sabe? 2. Há leitores que iniciam assim: “Primeira leitura”, ou: “segunda leitura”, e citam até os versículos. São “ruídos” evitáveis. 3. O salmista deve evitar dizer “salmo responsorial. Refrão. Todos”. 4. “De pé para aclamar o evangelho...” 5. “Quem estiver preparado para a comunhão...”.

3. Com criatividade

Criatividade não significa virar as coisas de ponta-cabeça. Se não nos colocamos por inteiro, nenhuma dinâmica nos motivará a celebrar bem. E a motivação nasce de dentro da pessoa. Celebrar como se fosse a primeira vez, ou como se fosse o último ato de nossa vida. Infelizmente muitos são escravos do tempo, e a Eucaristia acaba sofrendo deterioração. Pessoalmente é-me difícil presidir a Ceia do Senhor em meia hora. Pelo menos 45 minutos, para saborear as duas mesas, da Palavra e da Eucaristia. É possível desrotinizar as celebrações, basta ter motivações amplas e profundas. Sem querer dar lições a ninguém, aqui vai um testemunho pessoal para os dias de semana (já falamos do domingo, veja acima). Durante a semana, presido a Eucaristia em comunidades pequenas, sem permitir que a rotina sufoque nosso maior tesouro. Procuramos unir estreitamente as duas mesas, fazendo do mundo o nosso altar, trazendo para dentro da celebração todo o povo. Costumo também salientar cada dia um aspecto. Por exemplo, o ato penitencial. Além de cantá-lo, fazemos pedidos espontâneos de perdão, nos damos a paz. Às vezes gosto de deslocá-lo para depois da homilia, ou que nos abriu os olhos. Em outra ocasião, partilhamos a homilia, ou fazemos preces. Às vezes abrimos espaço para um prefácio espontâneo, buscando na vida das pessoas motivos de louvor ou ação de graças... Em outra ocasião, privilegiamos a ação de graças após a comunhão...
Em poucas palavras, a Eucaristia só se torne rotina para quem quer, para quem não ama. O modo como celebramos é o melhor retrato da comunidade.


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